Dona Lilica, a benzedeira: o relato de Vovó Benta
Dona Lilica, a benzedeira é uma obra singela de autoria de Vovó Benta, espírito que se apresenta como uma adorável preta-velha e costuma narrar fatos ocorridos na contraparte espiritual de terreiros de Umbanda. A história acompanha uma senhora simples e humilde que recebeu uma nobre missão: ser benzedeira.
Uma autora que conta causos de terreiro
Vovó Benta é autora também de Natureza, onde reinam os Orixás, Causos de Umbanda e Enquanto Dormes. Nesses livros, o foco está no que acontece do outro lado da vida, junto aos trabalhadores espirituais que atuam nos templos.
Lilica e o amor por Lourenço
A narrativa começa com Dona Lilica já velhinha, recordando fatos de sua vida. Quando jovem, apaixonou-se por Lourenço e foi correspondida, mas o rapaz era rico e de família nobre, e o romance não pôde ir para frente. Ela também se lembra de quando começou a benzer e dos sonhos que sempre teve com sua mentora espiritual, Vovó Dita, que em desdobramento explicava à menina o funcionamento da benzedura.
Benzer é um ato sagrado
Filha, benzer é um ato sagrado, é uma missão que algumas pessoas escolhidas recebem antes de voltar para a terra. Os benzedores são operadores que servirão de canal aos espíritos curadores.
Na mesma explicação, Vovó Dita orienta que o trabalho seja feito sempre com muito amor, fé no Criador e um catalisador nas mãos, que pode ser um objeto de aço, sempre limpo no fogo, um rosário bento ou um ramo verde.
A desencarnação e o plano espiritual
Dona Lilica vai relembrando os causos que atendeu, as curas que proporcionou através da espiritualidade e o merecimento de cada um. Entre lembranças e devaneios, desencarna sentada em sua velha cadeira de balanço, amparada por Vovó Dita, e se adapta com facilidade ao plano espiritual, já que na Terra viveu de forma simples e abnegada.
Curiosa, quer saber por onde anda seu grande amor e é orientada de que o reencontro aconteceria no momento certo. Passa então a auxiliar nos trabalhos junto aos desencarnados sofredores, ampara o Padre Inocêncio em seu desencarne e visita uma igreja evangélica, um centro espírita e um terreiro de umbanda.
Um mesmo amparo em todos os templos
Vovó Benta revela que espíritos benfeitores labutam em toda e qualquer casa religiosa e explica que as diferentes religiões são necessárias devido aos vários padrões vibratórios ainda existentes no planeta.
| Local visitado | O que a personagem observa |
|---|---|
| Igreja católica | Amparo ao Padre Inocêncio em seu desencarne |
| Igreja evangélica | Pastor inspirado por mentor, mas sem tratar bem os casos de obsessão |
| Centro espírita | Estudo e auxílio nos trabalhos |
| Terreiro de Umbanda | Cantigas que chamam as entidades e atuação sobre o chacra básico do médium |
No terreiro, Lilica observa que as cantigas chamavam ao trabalho as entidades que irradiariam os médiuns, os pretos-velhos, e que a ligação mental se dava por fios tenuíssimos de um cérebro ao outro. Mais adiante, assume o arquétipo de preta-velha para trabalhar na Umbanda.
Um livro curto e envolvente
- Páginas: 95
- Fonte: grande e confortável
- Linguagem: de fácil entendimento
- História: envolvente, segundo a resenha
A resenha termina com uma saudação às benzedeiras, reconhecendo nelas um trabalho de caridade que atravessa gerações. Quanto ao reencontro com Lourenço, o leitor fica convidado a descobrir o final no próprio livro.
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