Aruanda, de Robson Pinheiro e Ângelo Inácio
Aruanda, lançado originalmente em 2004, é um clássico da literatura espírita, ditado pelo espírito Ângelo Inácio ao médium Robson Pinheiro, e traz revelações sobre o trabalho de Pais Velhos, Caboclos e Exus tanto nos terreiros de Umbanda quanto nos centros espíritas.
Uma continuação de Tambores de Angola
Podemos considerar que Aruanda é uma continuação de Tambores de Angola, o primeiro romance de Robson Pinheiro a tratar do tema. A obra se inicia com um resumo da história da Umbanda, religião brasileira fundada em 1908 pelo Sr. Caboclo das 7 Encruzilhadas através da mediunidade de Pai Zélio de Moraes.
A equipe de estudo
A seguir, Ângelo Inácio, que foi jornalista e escritor em sua última encarnação, inicia sua narrativa em formato de romance. A convite de Euzália, personagem presente em Tambores de Angola, Ângelo irá integrar uma equipe formada por Wallace, Pai João, ou João Cobú, e Silva, com o intuito de estudar assuntos relacionados à Umbanda e transmiti-los à Terra através de seus livros.
O personagem Silva, citado inicialmente na página 59, parece ser, pela descrição do autor espiritual, W. W. da Matta e Silva, médium, sacerdote umbandista e fundador da Umbanda Esotérica. Pai Matta, como era conhecido, escreveu diversos livros sobre a Umbanda, sendo Umbanda de todos nós o mais popular.
Excursões e aprendizados
Saindo em excursões com o grupo, o autor vai analisando e descrevendo suas experiências. Visita um local em zonas infelizes denominado Oasis da Paz, onde se encontram alojados e em tratamento espíritos que se especializaram em magia negra. Recebe uma detalhada aula de Pai João sobre os seres elementais e a importância desses irmãos nos trabalhos espirituais. Conhece o Guardião 7, que explica a atuação dos Exus, entidades guardiãs erroneamente confundidas com espíritos do mal. Goécia e apometria são outros temas abordados na obra.
Contra o preconceito
Trata-se de um livro importantíssimo, pois todo o tempo Ângelo Inácio tenta mostrar aos espíritas como é belo o trabalho das entidades que se apresentam na Umbanda, demonstrando ainda que muitas vezes são os mesmos espíritos que se apresentam nos centros espíritas como padres, freiras ou médicos, apenas trocam a roupagem fluídica. O principal objetivo da obra é quebrar o preconceito que existe contra a Umbanda e as religiões de matriz africana.
Ficha técnica
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Obra | Aruanda |
| Autor espiritual | Ângelo Inácio |
| Médium | Robson Pinheiro |
| Primeira edição | 2004 |
| Relação com outra obra | Continuação de Tambores de Angola |
| Editora | Casa dos Espíritos |
| Temas | Pais Velhos, Caboclos, Exus, elementais e magia negra |
Analisar o conteúdo, não a forma
Um dos trechos lembrados pela resenha observa que a guerra feita contra os espíritos que se manifestam como pretos-velhos e caboclos serve apenas para fortalecer o preconceito, e que muitas instituições espíritas veneráveis acabaram aceitando a presença desses companheiros de forma velada, pois sabem que a forma exterior não é nada e a essência é tudo. O texto recorda o que ensina Allan Kardec em O Livro dos Médiuns: o espírita deve se ocupar mais com a análise do conteúdo da comunicação do que com a forma ou o nome com que se manifesta o comunicante.
Para quem é o livro
- Espíritas dispostos a rever o preconceito contra a Umbanda.
- Umbandistas que querem entender o trabalho de Pais Velhos, Caboclos e Exus.
- Quem se interessa pela história da Umbanda desde 1908.
- Quem quer estudar elementais, apometria e o Oasis da Paz.
- Quem procura um clássico, lido e relido por muitos anos.
A linguagem empregada por Ângelo Inácio é minuciosa, de vocabulário rico e expressivo, e a edição atual ganhou capa nova e design mais moderno.
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