Jurema das Matas, de Mônica Castro e Leonel
Jurema das Matas acompanha quatro encarnações de um mesmo espírito, começando na Espanha do século 16, e termina em um terreiro de Umbanda no Brasil, onde o trabalho de caridade permite o resgate de antigos desafetos.
Quatro encarnações, do século 16 ao terreiro
Na Espanha do século 16 o espírito encarna como Alejandro, sanguinário, que após ser traído pela esposa Rosa com seu melhor amigo Lúcio passa a caçar e matar centenas de índios, desencarnando em péssimas condições. Na encarnação seguinte retorna como a índia Araceli, tendo como algoz Lúcio, aqui Licínio, que a toma à força e faz dela sua amante, provocando a ira da esposa Esmeraldina, reencarnação de Rosa.
Depois vem uma breve encarnação como a menina escrava Maria e, por fim, o retorno como Eleonora, médium umbandista que teve o privilégio de conviver com Pai Zélio de Morais. Fundou seu próprio terreiro e, através do trabalho de caridade, conseguiu resgatar vários desafetos do passado.
Umbanda sem preconceito
Mônica de Castro é conhecida como médium espírita, mas, assim como Robson Pinheiro em Tambores de Angola e Aruanda, trouxe para o romance um pouco do trabalho desenvolvido na Umbanda, religião brasileira ainda vítima de bastante preconceito, inclusive por parte dos kardecistas. A obra sugere que o que importa é a caridade e que, geralmente, são os mesmos espíritos que trabalham nas duas religiões, apenas com roupagens diferentes.
Como é a leitura
A história prende a atenção. A leitura é confortável, com letras grandes e fundo claro. O que talvez possa incomodar os mais conservadores são algumas cenas de sexo um tanto quanto detalhadas, especialmente entre Licínio e Araceli.
Ficha técnica
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Obra | Jurema das Matas |
| Autora | Mônica de Castro |
| Espírito | Leonel |
| Páginas | 367 |
| Tamanho | 16x23 |
| Temas | Umbanda, reencarnação e resgate de dívidas do passado |
Defumação e a presença dos iluminados
No trecho divulgado no blog, Leonel explica a importância da defumação na Umbanda e afirma que em todas as religiões sérias existem seres iluminados atuando positivamente sobre os encarnados. O post se encerra com uma homenagem de Liz Hermann à Cabocla Jurema.
Para quem é o livro
- Leitores que querem conhecer o trabalho da Umbanda através de um romance, e não de um manual.
- Quem se interessa por histórias de reencarnação e resgate de dívidas antigas.
- Kardecistas dispostos a olhar para além do preconceito contra as religiões de matriz africana.
- Quem prefere leitura confortável, com letras grandes e fundo claro.
Jurema das Matas mostra, em forma de romance, que a caridade é o ponto de encontro entre religiões que costumam se olhar com desconfiança.
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