Resenha: Em Cidade dos Espíritos, o autor espiritual Ângelo Inácio ( muito conhecido no meio espiritualista por outras obras, tais como Tambores de Angola e Legião) irá nos contar como foi a sua chegada no plano espiritual, mais especificamente na colônia Aruanda. Para quem não sabe, Aruanda é tida como a cidade espiritual onde vivem os Guias da Umbanda. Existem diversos pontos cantandos de Umbanda que falam sobre Aruanda, sendo que um dos mais famosos  faz uma saudação ao Orixá Ogum: “Quando eu morrer vou passar lá na Aruanda, pra ver Ogum, saravá filhos de Umbanda” (Ogum toma conta de mim)

A história começa com o desencarne de Ângelo. Em meio ao seu velório, recebe a visita do guardião Jamar que chega para levá-lo. Uma parte do percurso é feito numa espécie de barco e a outra em um aeróbus. O narrador fica estupefato frente aos acontecimentos. Em Aruanda, Ângelo é recebido por sua filha Maria (também recém-desencarnada) e, a princípio, fica hospedado em um hotel. Logo conhece João Cobú – o mesmo Pai João de Aruanda de outras obras psicografadas por Robson Pinheiro – e o médico Joseph Gleber.

Jamar e Pai João, bem como outros moradores de Aruanda, vão mostrando para o curioso Ângelo as maravilhas da cidade. Trata-se de uma metrópole com cerca de 10 milhões de habitantes, repleta da mais alta e refinada tecnologia, com vasta vegetação e habitada por espíritos com uma visão universalista, já livres de certos dogmas religiosos.

“Cada uma das cidades espirituais têm objetivos semelhantes, os quais se reúnem em coletividades como a nossa. (..) Em nosso caso, aqui, na Aruanda, temos uma especialidade. Recebemos aqueles que têm gosto e potencial para estudar e ajudar a humanidade, cuja mentalidade já tenha se elevado sobre as preferências e os debates, disputas e os apadrinhamentos denominacionais, religiosos ou de cunho nacionalista” Pg 70

Aruanda é governada por um colegiado, com representantes de diversos povos e culturas: afro, indígena, oriental e com uma população bastante heterogênea, vivendo pacificamente. Não possui templos ou igrejas, pois seus moradores reverenciam Deus junto a natureza e as habitações são feitas de uma matéria muito sutil, que em alguns casos lembra as pedras preciosas aqui da Terra. Um paraíso, não?

Em Aruanda existe total respeito às diversidades culturais, de credo e de orientação sexual. Nas páginas de 192 à 198, em um passeio com Pai João, Ângelo observa a presença de vários casais, inclusive casais do mesmo sexo. Pai João esclarece que existe concepção no mundo espiritual, informação que também já nos foi passada pelo espírito Inácio Ferreira na obra Reencarnações no Mundo Espiritual. Com relação aos casais homossexuais, encontramos:

“Mal o Pai-Velho encerrou aquelas explicações, fui surpreendido por um grupo de homens que passavam de mãos dadas, alguns trocando afagos discretos, carinho e demonstrando um afeto tão natural que me surpreendi com o que via. Outra turma menor, de mulheres, espíritos femininos, também passeava abraçadas, lado a lado, ou também de mãos dadas. Tratava-se decididamente de homossexuais. E isso me chocou, pois não sabia que do lado de cá encontraria com tamanha naturalidade espíritos que se definiam sexualmente dessa maneira. – Aqui todos são vistos com a mesma naturalidade, Ângelo. Fora da matéria, não há por que ninguém se esconder de medo de ser rejeitado.” Página 197

“No que diz respeito à vida afetiva, pude observar tanto espíritos que tiveram experiências na heterossexualidade como seres com identidade energética voltada à homossexualiddae, mas ambos na mais singela normalidade. Cada casal levava a vida conforme melhor lhe parecesse, com respeito mútuo; traçavam planos, usufruiam de todas as oportunidades que a comunidade lhes podia oferecer.” Página 225

Mas afinal de contas, qual seria o objetivo da ida de Ângelo Inácio para Aruanda? Além de conhecer e viver em tão bela colônia espiritual, o autor foi escolhido pelos “Imortais” para desenvolver uma importante missão: levar aos encarnados, através da psicografia, uma visão mais universalista e menos dogmática do plano espiritual. No capítulo IV, Ângelo se reúne com espíritos de alto gabarito, tais como Eurípedes Barnaulfo e Bezerra de Menezes, para traçar seu plano de trabalho:

“Recebemos aval de nossa coordenadora de uma dimensão mais elevada, nossa mãe Maria, para eleger alguém que pudesse nos auxiliar na transmissão de novas ideias e de uma visão mais dilatada da vida espiritual, levando ao mundo essa mensagem, mas principalmente tendo os amigos espiritualistas como alvo.
Neste ponto da conversa, interveio o espírito Bezerra:
-Nossos amigos espíritas e espiritualistas precisam expandir o campo de visão, contemplando uma realidade mais ampla. Por essa razão, nós o temos acompanhado desde há algum tempo e verificamos que suas disposições mentais e emocionais possam servir para nos auxiliar como intérprete junto aos encarnados.” Página 157

Para cumprir sua missão, Ângelo deveria estudar muito e estagiar nas zonas inferiores juntamente com os guardiões. No capítulo VI, Ângelo nos apresenta as zonas de impacto e os tipos de guardiões que cuidam da segurança e do equilíbrio energético de nosso planeta Terra, trabalhando em sintonia com os governadores siderais “emanando do próprio Cristo e de Miguel, o representante da Justiça Divina no mundo” : Guardiões da Noite, Legião de Maria, Mongóis, Legionários Romanos, Puris (exércitos de índios) e os Exus.

No capítulo VII, Ângelo participa de uma festa afro em homenagem a Mãe Menininha do Gantois, com a participação de espíritos de pretos-velhos, baianos e caboclos. Ao final do livro, Jamar mostra ao narrador o quanto o movimento espírita encontra-se engessado, com muitas disputas pelo “purismo doutrinário” e afirmam que muitos destes irmãos encarnados são reencarnações de antigos clérigos católicos – informação que já li em outras obras e da qual não duvido.

Bom, esta resenha já está enorme, mas é porque o livro é longo e com conteúdo forte e profundo. Não é um livro para mentes fechadas e ortodoxas. Como a própria espiritualidade disse, a missão da dupla Robson Pinheiro e Ângelo Inácio é mostrar outras vertentes do mundo espiritual, com temática voltada ao universalismo. Eu já li diversas obras do Robson Pinheiro e me identifiquei bastante; só  não consegui terminar de ler a Trilogia das Sombras,  livros que estão em stand by em minha estante aguardando um momento interior mais propício. Me encantei com Cidade dos Espíritos, que mostrou um mundo espiritual mais alegre e colorido, nem por isso menos sério e comprometido com os ensinamentos cristãos. Fiquei a pensar se quem sabe eu venha a ter merecimento para ao menos visitar Aruanda…

Cidade dos Espíritos é o primeiro volume da trilogia “Os Filhos da Luz”. Foi lançado pela editora Casa dos Espíritos, possui 460 páginas e uma diagramação gráfica impecável. O segundo volume já está a caminho e se chamará “Os Guardiões”. Ângelo Inácio quando encarnado foi jornalista e escritor e tem uma linguagem muito agradável e descritiva.

 Assista ao book trailer do livro Cidade dos Espíritos:

 
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