Quando os campos florescem: ódio entre mãe e filha
Neste romance mediúnico conhecemos a história de Estela e Ariane, mãe e filha, que trazem de outra encarnação um grande sentimento de repulsa. O livro trata de um tema desconfortável e comum: o ódio inexplicável entre membros da mesma família.
O núcleo familiar
Estela vivia feliz com seu marido Oswaldo e com o filho William, que veio ao mundo após dois abortos espontâneos. Com o nascimento da caçula, Estela passou a sentir-se perturbada, pois não conseguia amar aquela menina, e ainda passou a ter pesadelos com um homem que a perseguia com seu chicote implacável.
O detalhe do chicote é o primeiro indício de que o problema não nasce na vida presente. O romance trabalha com a hipótese de que a aversão tem raiz em outra existência, e vai soltando essa informação aos poucos.
A doença de Ariane
Já na adolescência, Ariane entra em coma devido a um quadro de meningite negligenciado pela mãe, abalando assim a frágil estrutura familiar. Desesperado, Oswaldo acaba aceitando a ajuda da médium de cura Firmina, e a partir daí se entendem os motivos de toda a raiva existente entre Estela e Ariane.
A negligência é o ponto em que a narrativa deixa de tratar apenas de sentimento e passa a tratar de consequência. O coma funciona como o evento que obriga a família a olhar para o que vinha sendo evitado.
Personagens e papéis
O elenco é pequeno e cada figura tem uma função clara no esclarecimento do caso.
| Personagem | Papel na trama |
|---|---|
| Estela | Mãe que não consegue amar a filha caçula |
| Ariane | Filha rejeitada, entra em coma na adolescência |
| Oswaldo | Marido e pai, procura ajuda quando a filha adoece |
| William | Filho mais velho, nascido após dois abortos espontâneos |
| Firmina | Médium de cura que aceita atender a família |
A configuração é doméstica e sem vilões externos. Toda a tensão está dentro de casa, o que torna o caso mais próximo do leitor do que qualquer narrativa de obsessão sofisticada.
O conflito descrito no texto
Incontáveis foram as vezes em que Estela e Ariane se desentenderam. Ambas eram possuidoras de um temperamento forte, altivo e orgulhoso, e a animosidade entre elas seguia em ritmo célere e crescente, parecendo mesmo que o passar do tempo só fazia aumentar o clima de discórdia entre as duas.
O livro também é honesto quanto ao sofrimento de Estela. A doença de Ariane deveria ter representado um sofrimento imenso para a mãe, mas não foi o que ocorreu: seus choros de desespero, que levaram muita gente a acreditar que eram por causa da filha, na verdade representavam a autopiedade que começava a envolvê-la, e ela pressentia que a partir daquele episódio sua vida nunca mais seria a mesma.
O que a segunda parte esclarece
Todo o embate entre Estela e Ariane é explicado na segunda parte da obra, e com riqueza de detalhes. O livro demonstra algo bastante comum, que é o ódio inexplicável existente entre membros da mesma família e que, em alguns casos, pode chegar até mesmo a assassinatos.
O livro é muito agradável, tanto pela trama quanto pela diagramação. Para quem estuda as relações familiares à luz da doutrina, o volume oferece um caso bem construído de continuidade afetiva entre existências.
- Guarde os pesadelos com o homem do chicote, porque eles voltam explicados na segunda parte.
- Acompanhe a diferença entre o que Estela sente e o que ela demonstra aos outros.
- Observe o papel de Oswaldo, que busca ajuda quando a esposa não consegue.
- Leia o esclarecimento final junto com o início, para medir o quanto a narrativa preparou o terreno.
É uma obra curta, de leitura fluida, que serve bem a grupos de estudo que queiram discutir família, ressentimento e reencarnação sem partir de um tratado teórico. O caso faz o trabalho que o conceito sozinho não faz.
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