Umbanda, o caminho das pedras: estudo em forma de romance
De autoria de Ademir Barbosa Junior, o mesmo autor de O Livro Essencial de Umbanda, esta obra romanceada trata dos diversos problemas que podem afetar um terreiro de Umbanda, seus dirigentes e seus médiuns. O recurso da ficção não é enfeite: é o que permite mostrar a contraparte astral dos trabalhos espirituais, algo raro na literatura umbandista.
A estrutura do livro
Miguel, um sacerdote umbandista, é convidado por seu mentor a acompanhá-lo em desdobramento durante o sono físico. O objetivo é observar situações reais pelas quais passam irmãos de fé que se desequilibram e se afastam de suas missões. Além disso, Miguel participa de palestras e conferências no mundo astral, a fim de se depurar como dirigente e líder do movimento umbandista.
O livro é composto de pequenas histórias narradas por Miguel em suas incursões de estudo no mundo espiritual. Cada narrativa figura como uma pedra no árduo caminho do aprendizado pela dor. O autor explica que o caminho das pedras é o da Lei Divina, com cada pedra supervisionada por Pai Xangô, e que cabe ao indivíduo aprender ou não com as lições que elas oferecem.
Os casos narrados
O conjunto de histórias funciona como um mapa dos modos de fracasso dentro da religião. São situações distintas, mas todas mostram alguém que perde o vínculo com a própria missão.
| Caso | O que a narrativa examina |
|---|---|
| Mãe de santo traída pelo marido, ogã do terreiro | O abandono da missão depois da ruptura afetiva |
| Jovem médium e filmes pornográficos na internet | A dependência que consome a energia do médium |
| Três médiuns dependentes do álcool | As consequências do alcoolismo na vida mediúnica |
| Giras chamadas de pseudo-esquerda | O desvio de finalidade nos trabalhos de esquerda |
| Cambona que fofocava demais | O efeito da fofoca na sustentação do trabalho |
Completam o volume as provações e os testes de fé de uma futura dirigente e o caso da irmã que resolve escrever sobre as Iabás e é refutada tanto por umbandistas quanto por candomblecistas. No encerramento, Miguel assiste a uma palestra com o Mestre Zé Pelintra.
O que o livro permite estudar
Ao longo dos relatos, o autor apresenta um pouco da atuação de Caboclos, Pretos Velhos e Guardiões em nossas vidas, sempre tentando ensinar algo e proteger as pessoas delas mesmas. Esse é o fio que costura histórias tão diferentes entre si.
Para quem dirige casa, os casos têm utilidade prática porque tratam de problemas reconhecíveis: a vaidade de quem lidera, o descontrole de quem incorpora, a maledicência de quem auxilia e a pressão de quem escreve. O livro não oferece protocolo de solução, mas nomeia o problema, e nomear já é parte do trabalho.
- Acompanhe a trajetória de Miguel como fio condutor, porque o aprendizado dele é o que costura os episódios.
- Observe como cada caso começa por uma falha pequena, e não por um drama espiritual.
- Anote os trechos sobre a atuação dos guias, que é o conteúdo doutrinário mais direto do volume.
- Leia a palestra final com atenção, porque ela recolhe o sentido das histórias anteriores.
Sobre o autor e a edição
Ademir Barbosa Junior assina também como Dermes. É mestre em Literatura pela USP, Pai Pequeno da Tenda de Umbanda Iansã Matamba e Caboclo Jiboia, terapeuta holístico e mestre em Reiki, com diversos livros publicados sobre Umbanda e terapia holística.
O volume tem 140 páginas, linguagem simples e agradável, o que o torna acessível a quem ainda não leu nada de literatura umbandista. É uma obra de estudo que se lê como ficção, e é justamente essa mistura que a torna útil para dirigentes e médiuns em formação dentro da tradição.
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